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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Eu sou uma poesia e ...






Bem melhor que teu coração não me tivese criado.
Bem melhor que tua alma me tivesse abortado,
Que me deixasses no vazio do espaço
Ou até mesmo perdida no tempo.
Que me deixasses adormecida dentro
De teu próprio pensamento.
Porquê foste me buscar de dentro de ti
E me atiras ao mundo ante ouvidos
Que não ouvem e paredes que me sufocam?
Sou inocente. Não sou ré.
Nasci para ser livre nos corações,
Não nasci para ser julgada,
Não há crime em ser inocente.
Sou a essência de um sentimento puro
Que viaja de coração em coração
Despertando em cada um a flor
Que nele há de habitar, mas adormecida
Precisa que lhe desperte para viver
Intensamente os momentos inesqueciveis
Por terem sido eternos em cada um.
Por favor não me esconde, mas também
Não me expõe a julgamentos nos quais
Lêm as palavras que me formam
Mas não sentem a ternura do sentimento
Que me faz ser a vida da própria vida.
Me entrega toda, me desvassa ao mundo,
Me faz de promiscua por que é preciso.
Não sei ser de apenas um, pois sou do mundo,
Me entrego nua e sem pudor mas minha
Inocência  me cobre com a pureza
Do nascer dos lirios como se eu fosse...Única.
Te permito que me atires ao tempo,
Te permito que me atires ao mundo,
Permito até que cada um me sinta sua
Como pedaço de sua vida ou de sua alma,
Permito tudo que me leve a fazer
Sorrir um coração triste ou que faça
Chorar um coração de pedra.
Só não te permito o constrangimento
De me levares a julgamento.
Se não sabes... Eu sou uma poesia.


José João

sábado, 23 de julho de 2011

Sou apenas... gente

 

Ontem estive correndo entre sonhos e desejos,
Entre espaços vazios, perdidos no nada,
Onde a alma, tambem por nada sentir,
Se fazia eco de um silêncio tão profundo
Que o próprio silêncio chorava ao se ouvir.
Corri entre dores passadas, tristezas vividas,
Entre pesadelos sombrios por dores parídas
Por perdas tão duras, tão nuas, tão cruas
Que o tempo, por pena da alma, lhe lambia as feridas,
Mas para a alma, coitada, a dor era tanta
Que  fazia o próprio tempo, no tempo parar
Como se a eternidade se fizesse tão pouco
Para que tanta dor pudesse passar.
Corri entre noites, estrelas, cometas e luas
Me fiz de inocente,  gritando blasfêmias,
Voei nú no espaço como estrela cadente
Cantando loucuras como se fosse indecente,
Eu? Inocente!!?  Eu?  Indecente!!?
Eu? Gritando loucuras!!? Gritando blasfêmias !!?
Talvez até... Talvez... por que sou tão pouco
Sou tão pequeno... sou apenas gente.


José João



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Preciso de ti





Não te quero apenas. Preciso de ti.
Preciso me inundar em teu querer,
Me tomar de mim e todo a ti me entregar,
Me despir e me vestir de ti.
Ousar desnudar minha alma em tua frente,
Deixá-la cativa aos teus sentidos
E meu corpo... cativo aos teus desejos
Como se de mim eu fosse minha menor parte
E tu a melhor e maior parte de mim.
Sentir tuas vontades todas minhas
E te deixar ficar comodamente dentro de mim.
Não te quero apenas como mulher
Mas como meu universo essencial e único,
Como a melhor essência da vida.
Entraste no meu mais intimo pedaço
E de dentro dele me fizeste homem,
Um homem que fortificaste ao ensina-lo amar.
Tão suavemente soubeste te fazer caminho
E nele me deixas ternamente seguir,
Te fazes de minha estrada e horizonte,
Te percorro para chegar em ti.
Te vejo me guiando, mãos dadas e nós seguindo,
Ao mesmo tempo, te vejo me acenando para chegar,
Não há intervalo entre nós, vencemos a distância,
Me guias com a alma e me acenas com o corpo
O que ainda nos falta é por que agora
Ainda não é preciso, ou por tanto amor
Queiram fazer mais terno, sublime e belo
A doação de nossos corpos um ao outro.
..............    ....................   ..................   .............
Pena que o tempo não nos tenha permitido
                 SAUDADES


José João

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O livro e o jornal





Sobre a estante estava o livro
Páginas amarelas e mofo na capa
Mas estava ainda austero e viril
Como se do tempo fosse um mapa


De repente eis que chega o jornal
Em tantas quantas páginas dobrado
Olhou de soslaio para o livro,
Disse: Coitado, estás velho, alquebrado...


Continuando com ironia ainda disse:
Vê-me. Olha estou novo, sou do dia
E como tenho milhões de irmãos!!
Tenho pena livro, de tua agonia


Páginas amareladas pelo tempo
Entretanto com pouco manuseio,
Eu não, todos a mim querem ler
E me procuram no mundo com anseio


Sou procurados por todos nesta terra
Só os analfabetos a mim não podem ler
Sou um jornal, pobre e coitado livro
Mas a ti? Quem pode ti querer?


Vê minhas páginas, sou notícia atual
E quase todos têm o mesmo ritual
Sentados ou em pé, em qualquer lugar
Todos me querem ler. Eu, O jornal


O livro em repouso aparente
Calado, mudo, a tudo escutava
Pasmo como se fosse uma estátua
Ao jornal nada refutava


Continuava o jornal a dizer sarcastico
Livro que trazes de novo aí?
Ficaste mudo? Não és novidade?
Senta aos meus pés. Anda senta aqui.


Depois de tanto assim ouvir
Parece que o livro despertou
Lentamentte como a si espreguiçar
Olhou o jornal e falou:


Coitado de ti  pobre jornal
Todos o cultos é a mim que querem ler
Me guardam com muito carinho
Para que eterno eu possa ser


Não me compare contigo pobre infeliz
Tu. Todos os dias nasces como um aborto
Enquanto eu vivo eternamente
Amanhã já estarás morto.


José João

terça-feira, 12 de julho de 2011

Entre parenteses





Na mulher
Só olho a beleza do corpo
( Se suas pernas forem torneadas
 Assim como que esculpidas.
Se suas coxas grossas,
Macias e bem feitas
Forem como que pintadas.
Se seu sexo fosse desenhado
Pelo mais perspicaz arquiteto.
Se seu seios
Nem fartos, nem pequenos
Fossem como duas frutas
Nem verdes, nem maduras
E desprezassem a gravidade.
Se seus lábios forem como mel,
Assim como uma flor entreaberta,
Como se fosse um quadro
Do melhor pintor.
Se seus cabelos, de qualquer cor,
Cairem nos ombros como cascata
Cor da noite ou cor do sol.
Se seu andar for elegante, flutuante,
Assim como um flor leve
Ao sabor do vento)
Se sua alma for pura.


José João

A verdadeira beleza







Chamastes minha atenção
Assim como a de tantos outros,
És ... realmente bela.
Teu corpo harmonioso
De soberbas curvas.
Teus cabelos cor da noite,
Teu lábios carnudos e sensuais
Como se sempre estivessem ávidos
A uma carícia, a um beijo ousado.
Tua pernas ?!! Maravilhosamente torneadas
Como se por um artista esculpidas.
Difícil descrever a beleza de teu corpo,
Teus seios ponteagudos, rijos
Desafiando a gravidade dos deuses...
É isso ... pareces um sonho.
Não és comparável ao que existe
A não ser a uma flor,
Altiva, imponente e bela
Como se só ela existisse.
Ainda assim entre as duas
Difícil dizer a mais bela.
Mas querida, todo esse conjunto
Se perde no comum.
És como uma flor? És sim
Mas uma flor sem perfume
Como se dela só existisse o corpo
Que de tão bonito é tão pouco.
A essência, a alma da flor
Não é sua beleza frágil e passageira
È o seu perfume sutil.
Embriagador e inesquecível.


José João

Hoje não faço nada





Hoje não quero fazer nem sentir nada.
Prendi meus sonhos, mandei a solidão embora,
Esqueci até de sentir saudade,
O que poderia fazer hoje?
Talvez apenas escrever uma poesia,
Mas nem isso posso.
Por não querer fazer nada
As letras se esconderam de mim
Se trancaram na gaveta do alfabeto
Para me ajudarem a não fazer nada.
Ufa! Mas que dia enfadonho!!
Que dia difícil de viver!
Mas decidi. Hoje não faço nada.
Não vou cantar, não vou chorar.
Não vou recordar, não vou falar,
Não vou fazer nada, mas se...
Ao menos as plavras estivessem  disponiveis...
Mas até meu pensamento esqueceu de pensar.
Mas se meu pensamento esqueceu de pensar
Então posso estar fazendo alguma coisa,
Se meu pensamento estivesse pensando
E dissesse para eu não pensar em nada
Já não estaria sem fazer nada.
Pô! Como é difícil não querer fazer nada!
Acho que vou dormir.
Mas dormindo estou sem fazer nada?


José João

Produto





Na minha loucura
Vejo minha própria razão.
Vivo por que  sou louco.
Na minha razão sou apena eu
Na minha loucura o eu somos nós.
Penso, quando a razão não existe,
Não ser apenas um.
Na minha razão
Sou produto de um gôzo,
De um esperminha qualquer
Que casualmente penetrou um ovo.
Na minha loucura, quando penso,
Fui parído por uma flor
Fecundada por um deus
Que se apossou e um pássaro
Que fecundou a flor,
Que não me abortou,
Mas com carinho me pariu.
Na minha razão sou um esperma
Que se fundiu com um ovo
E em um só cresci,
Um impotente ante a vida.
Na minha loucura
Sou milhões de espermas
Ejaculados por milhões de deuses
Para se apossar de milhões de pássaros,
Para fecundar milhões de flores
Para nascerem milhões de EUS
Criados por um D antes dos eus.


José João
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